domingo, 5 de junho de 2011

O regime


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Produzido por Miguel Portas, 04/06/2011


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1. O que está em causa nesta eleição é, desde logo, um programa de governo – o da troika. Desta vez, não há lugar ao habitual “prometo mas não cumpro”. Aquilo é mesmo um programa com medidas rigorosamente calendarizadas. Apesar disso, só a esquerda o discutiu. O tripartido que assinou o Memorando de cruz, mesmo desconhecendo o seu preço em juros, fez tudo o que pôde para esconder dos eleitores o elenco das malfeitorias que subscreveu. Só por isso não merecem o seu voto.
2. Ao contrário do que se possa pensar, não há nenhuma questão de governo nesta eleição. O programa da troika foi escrito e decidido em Bruxelas, sob conselho do FMI e do Banco Central Europeu, o nosso principal credor. Esse programa será diariamente monitorizado em Bruxelas e fiscalizado em Lisboa a cada três meses. Chamar “governo” à administração local responsável pela sua execução é no mínimo exagerado. Classificar de “primeiro-ministro” a criatura que irá a despacho, é, no mínimo, uma piada de mau gosto. Só surpreende como ainda há quem se candidate a tristes figuras. Mas isso é porque sempre existiram figuras tristes. Eles, os do meio, não merecem o seu voto. Não merecem, sequer, metade dos votos que têm obtido.
3. Na verdade, temos uma questão de regime, o que é bem mais do que uma questão de governo. Quem decide não vai a votos, antes se plebiscita através dos votos nos partidos colaboracionistas. Quem decide não é controlado, controla. Quem decide, abre e fecha a torneira das tranches de financiamento em função das condições políticas que considere úteis ou necessárias. Quem decide, numa palavra, são os credores. O regime saído desta relação de forças é um poder colonial. Há quem, em Bruxelas, deseje a nomeação de um alto-comissário, ou seja, de um “governador”. Não é preciso. Um poder sem rosto é bem mais eficaz. A política reduzida à burocracia atinge o seu esplendor: vende-se a si própria como técnica. Neste regime, o soberano é o eurocrata. Mas ele ainda precisa dos colaboracionistas para se legitimar. No dia 5 eles não merecem o seu voto.
4. A dificuldade desta eleição é com a abstenção. São muitos os que pensam não valer a pena ir votar porque já está tudo decidido. São homens e mulheres castigados pela crise, punidos pela vida, que desacreditam. São jovens condenados à precariedade, que lhes aparece como superior às suas próprias forças, ou idosos que vêm a vida a andar para trás e não encontram, dentro si, as energias para mais esta batalha. Todos, sem excepção, sabem que não irão votar contra si próprios. Mas todos, sem excepção, duvidam que valha a pena votar. O pior da troika, o pior do Protectorado é precisamente isto: pôr as pessoas a duvidar de si próprias e das virtualidades da democracia. Mas é precisamente esta a melhor razão para que ninguém lhes torne a vida mais fácil.
Artigo publicado originalmente no semanário "Sol"

Tiananmen: mais de 150 mil pessoas na vigília de homenagem às vítimas


Mais de 150 mil pessoas participaram, este sábado, em Hong Kong numa vigília de homenagem às vítimas do massacre de Tiananmen, em Pequim, onde há 22 anos as autoridades chinesas reprimiram uma manifestação pró-democracia
O Governo chinês nunca revelou o número exato nem a identidade das vítimas
O Governo chinês nunca revelou o número exato nem a identidade das vítimas.
A iniciativa da homenagem, que se realizou no parque Vitoria, partiu da Aliança de Apoio aos Movimentos Democráticos e Patrióticos na China, que em anteriores declarações à Lusa tinha anunciado que o objectivo era juntar mais de 150 mil pessoas. Não foi possível ainda confirmar junto da polícia da Hong Kong o número avançado pela organização.
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